RESENHA | O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS.
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| Don't Panic |
Lembro que quando criança me via como alguém extremamente diferente das outras crianças que me cercavam. Elas eram fúteis, descartáveis, sabe? Então.
Por algumas vezes, me vi pensando em como esses outros indivíduos poderiam sumir do mapa... assim, meio que literalmente. Me sentia completamente deslocado. Mas aí, anos depois, fui apresentado a esse livro assombrosamente incrível e o mesmo me fez mudar e, na maioria dos casos, reforçar algumas dessas ideias que tinha quando criança.
Douglas Adams, o autor do livro (na verdade da serie de livros -são seis (6)), faz com a história o que eu gostaria de ter feito com meus "amiguinhos" de escola.
Esse mesmo livro (me referindo ao primeiro), logo no começo, explode a nossa mente fazendo com que apeguemo-nos a questões rotineiras, assim como de todos nós, e logo depois... ~BOoOm~ distorce o tecido do tempo-espaço metafórico na nossa frente e nos prende na escrita, assim como um bom pescador faz com um peixe que é difícil de pegar.
O livro (o primeiro, e acho que todos eles) tem uma mensagem, que exposta logo na capa, nos faz refletir, que é: "NÃO ENTRE EM PÂNICO!". Porque, como eu disse, o Douglinhas (sou íntimo, apesar de ele já ter morrido) distorce o véu que separava o que você pensava do que, agora de fato, irá passar a pensar (desculpa o gerúndio). Acontece algo logo no primeiro capítulo do primeiro livro que, particularmente, EXPLODIU A MINHA MENTE, e me fez refletir a insignificância da minha existência. Logicamente não vou citar o que acontece, porque quero que você leia este livro urgentemente, mas envolve uma explosão... uma GRANDE explosão.
Falando em citar, gostaria de mostrar pra vocês somente o primeiro parágrafo do prefácio do primeiro livro. Deem uma olhada:
"Desde tempos imemoriais houve menos que meia dúzia de mortais cujas mentes foram capazes de contemplar o universo em sua totalidade: Einstein, Hubble, Feynman e Douglas Adams são os nomes que surgem em meu cérebro comparativamente ínfimo e inútil. Destes poucos gênios especiais, Douglas Adams é, sem dúvida, o pensador mais hilariantemente original, embora seja consenso geral que Einstein era melhor dançarino de funk."
Acho que só isso já bastaria para te fazer lê-lo, mas vou falar um pouco da história. No enredo, têm dois protagonistas: Ford Prefect e Arthur Dent. Ford é um alien que vive há 15 anos disfarçado de humano, e Arthur é o seu melhor amigo. A história começa, sem dar spoilers, quando uma equipe de demolição vai destruir a casa do Arthur para fazer um desvio na estrada (esse detalhe foi muito bem resgatado mais pra frente na história... de forma genial, eu diria). Arthur fica desesperado e tenta impedir a equipe deitando-se na frente do trator amarelo. Isso já é o suficiente para o Douglas (ele sim é o Dougras -desculpa por isso) fazer a festa na sua mente alguns parágrafos à frente. A trama se desenvolve com uma fluidez invejável, e com uma criatividade única vinda do D. Adams.
Vale muito a pena gastar muito bem seu tempo lendo essa pérola da literatura. Enfim.


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