COM SUA AVÓ



 Os passos lentos vacilantes caminharam até a mesa presente no centro da sala, onde permaneceu durante quase toda a conversa. Os olhos do seu neto a fitavam com tanta atenção, como se cada instante ali contasse e valesse. E valiam, de fato. Valem.
 Falaram sobre a família conturbada, sobre o que o neto aprendera (e o que não, também, pois aprendeu bastante ali), sobre seu próximo livro, sobre o que é ser maluco, sobre o que a avó havia aprendido na vida. E foi muita coisa. Mas uma coisa o jovem percebeu, enquanto falava com a senhora: ele se sentia parte daquela geração, mesmo que setenta anos separassem os que conversavam. Mas isso não se importava, e ainda não importa, pois aquele garoto se sentia um idoso perante os jovens da sua geração, até porque, idade (números) quer dizer nada, quiçá autoridade. Crianças nos ensinam mais perguntando e abraçando até quem não deve, do que nós, adultos, que separamos quem merece respeito como se separássemos feijão.
 Voltando ao que interessa, esse mesmo rapaz foi embora com seus pais para casa, e resolveu pôr no papel o que tinha visto com sua avó. E, depois de tanto tempo, teve alguma conversa produtiva com alguém, sem achar que a pessoa na qual estava conversando fosse infindavelmente fútil.

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