SEMPRE A UM PASSO | CRÔNICA



 Tem sempre um padrão, tipo um serial killer: começa com um grande entusiasmo. Então, eu faço o que acho que tenho que fazer. Depois, eu acho que devo algo a alguém, e, por isso, não posso desistir. Por isso, estou sempre a um passo de fazer isso: porque eu não devo. E não deveria mesmo dever.
 Eu tenho a tendência de fazer tudo agora, enquanto tenho a libido para tal, porque depois de uma semana, por exemplo, minha cabeça já terá sofrido todas as consequências de ter escolhido não desistir. Pois a minha cabeça, ao mesmo tempo que se liberta quando escreve, sofre. Sofre ao dizer, ao não dizer, ao fazer e ao odiar. Ao lembrar (eu odeio lembrar).

 Ontem, digo, quando criança, era o extremo oposto. Aposto que eu ia odiar ver o que me tornei. A única coisa que compartilho com o eu do passado é a ojeriza em estar presente em festas.
 Deixei de lado todas as pessoas idiotas (quando escrevo 'idiotas', leia-se intransigentes), que acham que eu tenho que dizer sim pra tudo. Porra, e eu não tenho!
 E o que eu acho engraçado é que, após eu espernear, o culpado ainda sou eu. Como isso é possível? Eu odeio pessoas.
 Incrível é que, voltando ao início do post, já desejei desistir desse texto aqui muitas vezes. Dentro de minutos, quis desistir de escrevê-lo. A pressão alheia está funcionando, a princípio.
 O mundo dá voltas? Eu já estou enjoado de o tanto que a Terra já girou (metaforicamente).

Comentários

Postagens mais visitadas